Movimento uniforme com o pé esquerdo que entrega receio e insegurança, cuidado ao evitar meus olhos e ensaio emocional típico de quem observa cautelosamente o olho mágico ensaiando mentalmente, pela milésima vez, o discurso indiferente e potencialmente infalível. "Nossa, você? O que quer?" - não sabia se ria pela pergunta ou pela expressão facial indiferente que não fazia jus a pupila já dilatada ou ao suor incontrolável entre os dedos da mão. Enfim... já disse que sinto decepcioná-lo? Claro que li e ouvi você pedindo para que eu só voltasse quando soubesse o que queria e o quão estava cheio de minhas promessas vazias a respeito de tentar fazer certo dessa vez e sair de mansinho na manhã seguinte - aqui estou, sabendo exatamente o que quero e consciente de que sua história pateticamente moldada pela sociedade não faz jus aos meus planos - conscientes nós, pra dizer a verdade. Gosto de você assim: verdadeiro ou falso - sem padrões, sem expectativas, sem pedir no meio da noite que nunca mais o magoe. Convenhamos? Você não abriu a porta acreditando que eu viria com uma caneta assinar seus termos e condições de uso, abriu por saudade, abriu por não suportar a ideia dos seus lábios tão distantes dos meus, do meu gosto amargo que ainda é seu preferido. Desprezo saudável, consideração banal, saudade maior que receio, julgamentos supérfluos, eu e você mais uma vez fingindo que somos eternos.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Deixa disso?
Movimento uniforme com o pé esquerdo que entrega receio e insegurança, cuidado ao evitar meus olhos e ensaio emocional típico de quem observa cautelosamente o olho mágico ensaiando mentalmente, pela milésima vez, o discurso indiferente e potencialmente infalível. "Nossa, você? O que quer?" - não sabia se ria pela pergunta ou pela expressão facial indiferente que não fazia jus a pupila já dilatada ou ao suor incontrolável entre os dedos da mão. Enfim... já disse que sinto decepcioná-lo? Claro que li e ouvi você pedindo para que eu só voltasse quando soubesse o que queria e o quão estava cheio de minhas promessas vazias a respeito de tentar fazer certo dessa vez e sair de mansinho na manhã seguinte - aqui estou, sabendo exatamente o que quero e consciente de que sua história pateticamente moldada pela sociedade não faz jus aos meus planos - conscientes nós, pra dizer a verdade. Gosto de você assim: verdadeiro ou falso - sem padrões, sem expectativas, sem pedir no meio da noite que nunca mais o magoe. Convenhamos? Você não abriu a porta acreditando que eu viria com uma caneta assinar seus termos e condições de uso, abriu por saudade, abriu por não suportar a ideia dos seus lábios tão distantes dos meus, do meu gosto amargo que ainda é seu preferido. Desprezo saudável, consideração banal, saudade maior que receio, julgamentos supérfluos, eu e você mais uma vez fingindo que somos eternos.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Amor de 25 minutos.
Eduardo e Mônica - Legião Urbana
O cara do canto direito de camisa xadrez, barba por fazer,
cabelo jogado e típico intelectual de camiseta bacana me olhava de forma tímida e
atenciosa. Recíproco, se não fosse pelo “tímida e atenciosa”. Chamou-me a
atenção durante uns vinte e cinco minutos e entrou com seu jeito meia boca no
meu jogo de sedução. Meia boca não do jeito morno, mas meia boca do jeito dele,
meia boca do jeito que me faria ter história pra contar, meia boca pra
apresentar pra família e amigos, meia boca pra completar a minha meia boca. Olhava
e me prometia o mundo pouco a pouco e eu só tentava esconder que aquela não era
minha noite. Fui seu desafio, alvo do seu olhar e do seu sorriso avisado. Dois
perdidos, vinte e cinco minutos perdidos. Eu sorri como quem provoca, você sorriu me entregando sua história de mão beijada... Você não fazia ideia que eu não gosto do que eu posso ter de todo, não é mesmo?
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Ex-saudade de futuro.
O conto do nerd e seu coração partido - Soulstripper
Não gosto de gente morna, meio termo, que demora pra se decidir. Não gosto do mais ou menos, do menos ou mais. Gente que retoma o que seria pra não retomar o que era - esquece o passado mas esquece de esquecer o futuro. Não gosto de mim ou de nós, não mais. Cada mensagem de bom dia ou de boa noite que aparece depois de dias sem nem duas palavras trocadas são evidências da nossa fraqueza. A necessidade de um beijo meia bocana calada da noite, de falar da saudade que sente ou de chamar de "meu bem" como se fosse a última vez. Retomar o relacionamento também nunca foi a solução. Nós começaríamos do ponto em que paramos e, se o começo não deu certo, o final seria um caos completo. Escrevo essas palavras como o "adeus". Não aquele adeus do qual falamos após o término, ou o adeus ao passado para que pudéssemos retomar o que seríamos. Não. Esse é o meu adeus ao nosso futuro, às nossas míseras migalhas, à esperança que plantamos um dentro do outro quando a saudade bate e somos obrigados a fazer uma ligação só pra ouvir uma voz: não quero mais restos de você ou de nós.
Não gosto de gente morna, meio termo, que demora pra se decidir. Não gosto do mais ou menos, do menos ou mais. Gente que retoma o que seria pra não retomar o que era - esquece o passado mas esquece de esquecer o futuro. Não gosto de mim ou de nós, não mais. Cada mensagem de bom dia ou de boa noite que aparece depois de dias sem nem duas palavras trocadas são evidências da nossa fraqueza. A necessidade de um beijo meia bocana calada da noite, de falar da saudade que sente ou de chamar de "meu bem" como se fosse a última vez. Retomar o relacionamento também nunca foi a solução. Nós começaríamos do ponto em que paramos e, se o começo não deu certo, o final seria um caos completo. Escrevo essas palavras como o "adeus". Não aquele adeus do qual falamos após o término, ou o adeus ao passado para que pudéssemos retomar o que seríamos. Não. Esse é o meu adeus ao nosso futuro, às nossas míseras migalhas, à esperança que plantamos um dentro do outro quando a saudade bate e somos obrigados a fazer uma ligação só pra ouvir uma voz: não quero mais restos de você ou de nós.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Romance antiquadamente moderno e excentricamente particular.
Try a Little Tenderness - Cássia Eller
Julgou-se inteligente demais e me fez uma análise psicológica que terminava em “Medo de compromisso”. Patético, mas bem melhor que a maioria que terminaria em um típico “Fria e sem coração”. Reconheço seu esforço ao agir como Romeu em pleno século XXI, ao ter dito coisas pensadas e ao tentar montar momentos perfeitamente calculados como uma atitude treinada com várias mulheres por ai sem erro no final das contas. Perdão se te decepcionei, se te deixei na mão ou se falei que ia ligar e nem lembrei mais seu nome. Errou comigo, errou ao tentar contar o conto de fadas errado. Não é que eu queira desencantar todo o tradicionalismo dos grandes contos, mas digamos que minhas fantasias sejam exclusivas demais pra serem escritas por ai. Não quero alguém que abra a porta do carro, jantar a luz de velas, aniversário de namoro ou deitar na grama pra assistir os cosmos ao som de Mozart. Não quero. Li uma vez que sou o tipo de mulher que se acha mais inteligente que a maioria dos homens, mas no final só sobra meu ego. É, talvez eu seja mesmo assim. Gosto de jogo de reciprocidade sem compensação ingrata, quem me tire do chão e me tire do sério. Dois copos de whisky, dueto ao som de tempo perdido, um terraço qualquer, imprevisibilidade completa e possessividade zero. Ciúmes só por charme. Não saber previamente a resposta pras minhas perguntas mas poder fazer milhões delas.
Ainda vou ficar com babacas por serem bonitos e ser acordada as 2 da manhã com uma mensagem de boa noite dizendo o quão estou sendo especial e desaparecer dois dias depois no sempre. Ainda serei hipócrita ao ouvir histórias de caras que parecem autores de livros de autoajuda ou de caras que acham que são experientes demais por serem alguns anos mais velhos. Ainda vou ouvir muitos “nunca pensei que ia gostar de alguém mais nova” e muitos “sabia que não podia me relacionar com alguém mais nova” depois que eu digo que me cansei. Perdão se você foi só mais um test-drive antes do cara certo. Eu me canso, me cansei de todos até agora, me cansei de você. Sei que não respondo mais suas mensagens, que atendo suas ligações com uma música alta demais pra ser ouvido, que fingiu que mudou por mim ao mudar por você mesmo, mas, seja como for, você é perfeito – só não é pra mim, só não é tão meu.
Julgou-se inteligente demais e me fez uma análise psicológica que terminava em “Medo de compromisso”. Patético, mas bem melhor que a maioria que terminaria em um típico “Fria e sem coração”. Reconheço seu esforço ao agir como Romeu em pleno século XXI, ao ter dito coisas pensadas e ao tentar montar momentos perfeitamente calculados como uma atitude treinada com várias mulheres por ai sem erro no final das contas. Perdão se te decepcionei, se te deixei na mão ou se falei que ia ligar e nem lembrei mais seu nome. Errou comigo, errou ao tentar contar o conto de fadas errado. Não é que eu queira desencantar todo o tradicionalismo dos grandes contos, mas digamos que minhas fantasias sejam exclusivas demais pra serem escritas por ai. Não quero alguém que abra a porta do carro, jantar a luz de velas, aniversário de namoro ou deitar na grama pra assistir os cosmos ao som de Mozart. Não quero. Li uma vez que sou o tipo de mulher que se acha mais inteligente que a maioria dos homens, mas no final só sobra meu ego. É, talvez eu seja mesmo assim. Gosto de jogo de reciprocidade sem compensação ingrata, quem me tire do chão e me tire do sério. Dois copos de whisky, dueto ao som de tempo perdido, um terraço qualquer, imprevisibilidade completa e possessividade zero. Ciúmes só por charme. Não saber previamente a resposta pras minhas perguntas mas poder fazer milhões delas.
Ainda vou ficar com babacas por serem bonitos e ser acordada as 2 da manhã com uma mensagem de boa noite dizendo o quão estou sendo especial e desaparecer dois dias depois no sempre. Ainda serei hipócrita ao ouvir histórias de caras que parecem autores de livros de autoajuda ou de caras que acham que são experientes demais por serem alguns anos mais velhos. Ainda vou ouvir muitos “nunca pensei que ia gostar de alguém mais nova” e muitos “sabia que não podia me relacionar com alguém mais nova” depois que eu digo que me cansei. Perdão se você foi só mais um test-drive antes do cara certo. Eu me canso, me cansei de todos até agora, me cansei de você. Sei que não respondo mais suas mensagens, que atendo suas ligações com uma música alta demais pra ser ouvido, que fingiu que mudou por mim ao mudar por você mesmo, mas, seja como for, você é perfeito – só não é pra mim, só não é tão meu.
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