Solidão que nada - Cazuza
Olha, amigo, não me venha com circunlóquios: Eu sei bem que qualquer encanto se perderia ao som de uma música comum - mas banhos-maria nunca reverteram desencantos. De fato, sua versão pouco me interessa nessa dramaturgia, a mesma moça do coração dado é a que teve o coração partido e a que merece o consolo que só o verbo é capaz de propor.
Ontem mesmo sentiu o gosto salgado da água que cai sob os olhos como quem não sabe se a maior saudade é do que foi, do que era pra ser, do que não foi por não ser pra ser, do ser que eu era, do ser que eu deveria ter sido - e a culpa ainda se encaixa sobre os ombros do primeiro a ceder a queda de braço do amor. Ah, pequena, tira esse peso dos ombros e vem brincar de ser feliz. O tempo dá-se ao mesmo tempo a chance de deixar na lixeira do canto esquerdo qualquer culpa ou amargura que só o coração surrado vem a proporcionar - e sua coluna tem sentido faz tempo o peso do amar demais.
Para de olhar no relógio a hora de esvaziar a mente pra sentir a dor amarga e pura - a velha tarde se fazendo cinza e nos trazendo a realidade de bandeja - pois hoje nada supera seu melhor sorriso, seu melhor vestido, seu levantar de sobrancelhas que entrega todo seu mistério a ser desvendado nas mãos de um desconhecido qualquer. Treliças fechadas, mente ocupada, coração desocupado e batom vermelho sangue é receita certa para quem precisa recuperar o trem das nove. Vai, entenda de uma vez, essa saudade do futuro é o que deixa o vento entrar depois das sete.
Olha, amigo, não me venha com circunlóquios: Eu sei bem que qualquer encanto se perderia ao som de uma música comum - mas banhos-maria nunca reverteram desencantos. De fato, sua versão pouco me interessa nessa dramaturgia, a mesma moça do coração dado é a que teve o coração partido e a que merece o consolo que só o verbo é capaz de propor.
Ontem mesmo sentiu o gosto salgado da água que cai sob os olhos como quem não sabe se a maior saudade é do que foi, do que era pra ser, do que não foi por não ser pra ser, do ser que eu era, do ser que eu deveria ter sido - e a culpa ainda se encaixa sobre os ombros do primeiro a ceder a queda de braço do amor. Ah, pequena, tira esse peso dos ombros e vem brincar de ser feliz. O tempo dá-se ao mesmo tempo a chance de deixar na lixeira do canto esquerdo qualquer culpa ou amargura que só o coração surrado vem a proporcionar - e sua coluna tem sentido faz tempo o peso do amar demais.
Para de olhar no relógio a hora de esvaziar a mente pra sentir a dor amarga e pura - a velha tarde se fazendo cinza e nos trazendo a realidade de bandeja - pois hoje nada supera seu melhor sorriso, seu melhor vestido, seu levantar de sobrancelhas que entrega todo seu mistério a ser desvendado nas mãos de um desconhecido qualquer. Treliças fechadas, mente ocupada, coração desocupado e batom vermelho sangue é receita certa para quem precisa recuperar o trem das nove. Vai, entenda de uma vez, essa saudade do futuro é o que deixa o vento entrar depois das sete.