Não precisa mudar - Ivete Sangalo e Saulo Fernandes
"Espera, eu pedi essa credencial?", sussurrava como quem não entendia e ao mesmo tempo latejava um flashback coletivo na mente - droga de latejo, droga de sussurro. É, essa mania universal de colocar palavras na minha boca e ignorar minhas palavras como se elas fossem apenas uma forma de eu lidar com meus sentimentos foi o que nos trouxe ao começo do nosso fim - e olha que já perdi a conta das vezes que deixei claro que não sou de lidar, sou de deixar ser. O jeito agora é rir do paradoxo que você construiu aqui enquanto eu pedia pra você me tirar do seu tabuleiro e você me entregava uma coroa e me fazia rainha dele, como se eu implorasse bem lá no fundo o título de mulher da sua vida.
Não, da vida não. Quero ser uma mulher na sua vida, daquelas que passam mas deixam um sorriso no rosto toda vez que você escuta um "lembra da fulana?", e então você lembra e torce pra que ela esteja por aí tirando sorrisos e sorrindo de volta. Ah, essa ideia de eternidade, de imutabilidade, de propriedade, de regras, de compromisso, de rótulos ou de dividir com a mesma pessoa o macio do meu lençol azul turquesa chega me dar uma ressaca sem nem ter sentido o gosto de qualquer uma delas.
O moço acabou de sair e deixou a porta encostada como quem diz que vai embora por não ter conquistado o êxito de mudar esse meu fascínio pela liberdade mas que me dá outra chance se eu quiser mudar por ele. Por você, ah... Como se eu quisesse que você fosse mais meu do que seu ou vice-versa em qualquer instante que seja. Minha porta também ficou encostada, mas como quem diz que se em um dia qualquer bater saudade, faltar sorriso, sobrar o fôlego... Tô aqui - e o cabide com função de segurar aquela sua toalha horrorosa do time adversário também. Quando eu disse que não queria o estigma de mulher da sua vida, que eu respiro amor e não compromisso, que eu estava ali por mim e não por você: eu falava sério, você não acreditou. A gente dura enquanto o sorriso durar.
"Espera, eu pedi essa credencial?", sussurrava como quem não entendia e ao mesmo tempo latejava um flashback coletivo na mente - droga de latejo, droga de sussurro. É, essa mania universal de colocar palavras na minha boca e ignorar minhas palavras como se elas fossem apenas uma forma de eu lidar com meus sentimentos foi o que nos trouxe ao começo do nosso fim - e olha que já perdi a conta das vezes que deixei claro que não sou de lidar, sou de deixar ser. O jeito agora é rir do paradoxo que você construiu aqui enquanto eu pedia pra você me tirar do seu tabuleiro e você me entregava uma coroa e me fazia rainha dele, como se eu implorasse bem lá no fundo o título de mulher da sua vida.
Não, da vida não. Quero ser uma mulher na sua vida, daquelas que passam mas deixam um sorriso no rosto toda vez que você escuta um "lembra da fulana?", e então você lembra e torce pra que ela esteja por aí tirando sorrisos e sorrindo de volta. Ah, essa ideia de eternidade, de imutabilidade, de propriedade, de regras, de compromisso, de rótulos ou de dividir com a mesma pessoa o macio do meu lençol azul turquesa chega me dar uma ressaca sem nem ter sentido o gosto de qualquer uma delas.
O moço acabou de sair e deixou a porta encostada como quem diz que vai embora por não ter conquistado o êxito de mudar esse meu fascínio pela liberdade mas que me dá outra chance se eu quiser mudar por ele. Por você, ah... Como se eu quisesse que você fosse mais meu do que seu ou vice-versa em qualquer instante que seja. Minha porta também ficou encostada, mas como quem diz que se em um dia qualquer bater saudade, faltar sorriso, sobrar o fôlego... Tô aqui - e o cabide com função de segurar aquela sua toalha horrorosa do time adversário também. Quando eu disse que não queria o estigma de mulher da sua vida, que eu respiro amor e não compromisso, que eu estava ali por mim e não por você: eu falava sério, você não acreditou. A gente dura enquanto o sorriso durar.