sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Não existe artigo definido. Não existe posse no amor.

  Não precisa mudar - Ivete Sangalo e Saulo Fernandes

  "Espera, eu pedi essa credencial?", sussurrava como quem não entendia e ao mesmo tempo latejava um flashback coletivo na mente - droga de latejo, droga de sussurro. É, essa mania universal de colocar palavras na minha boca e ignorar minhas palavras como se elas fossem apenas uma forma de eu lidar com meus sentimentos foi o que nos trouxe ao começo do nosso fim - e olha que já perdi a conta das vezes que deixei claro que não sou de lidar, sou de deixar ser. O jeito agora é rir do paradoxo que você construiu aqui enquanto eu pedia pra você me tirar do seu tabuleiro e você me entregava uma coroa e me fazia rainha dele, como se eu implorasse bem lá no fundo o título de mulher da sua vida.
    Não, da vida não. Quero ser uma mulher na sua vida, daquelas que passam mas deixam um sorriso no rosto toda vez que você escuta um "lembra da fulana?", e então você lembra e torce pra que ela esteja por aí tirando sorrisos e sorrindo de volta. Ah, essa ideia de eternidade, de imutabilidade, de propriedade, de regras, de compromisso, de rótulos ou de dividir com a mesma pessoa o macio do meu lençol azul turquesa chega me dar uma ressaca sem nem ter sentido o gosto de qualquer uma delas.  
    O moço acabou de sair e deixou a porta encostada como quem diz que vai embora por não ter conquistado o êxito de mudar esse meu fascínio pela liberdade mas que me dá outra chance se eu quiser mudar por ele. Por você, ah... Como se eu quisesse que você fosse mais meu do que seu ou vice-versa em qualquer instante que seja. Minha porta também ficou encostada, mas como quem diz que se em um dia qualquer bater saudade, faltar sorriso, sobrar o fôlego... Tô aqui - e o cabide com função de segurar aquela sua toalha horrorosa do time adversário também. Quando eu disse que não queria o estigma de mulher da sua vida, que eu respiro amor e não compromisso, que eu estava ali por mim e não por você: eu falava sério, você não acreditou. A gente dura enquanto o sorriso durar.


sábado, 8 de setembro de 2012

Ao gosto amargo de um doce amor

É sobre o seu abraço - Soulstripper  

 "Eu sempre gostei desse joguinho de quem fere mais e quem ama menos."
   Assim retomo a escrita por não haver, nem de longe, frase que nos defina melhor. Naquele sábado de primavera (meados de setembro, se não me engano) você dava o ponto de partida em um jogo de sacanagens que nos divertiria e nos desgastaria mais que qualquer relacionamento duradouro de forma cômica e trágica similarmente. Engraçado que nos respeitávamos a ponto de dar ao outro a “vez”, quando assim o era, e planejávamos como se realmente quiséssemos que aquela fosse a última vez: o nosso ponto final, não as reticências de sempre. Você começou e, querendo ou não, eu tenho que terminar pra ninguém sair prejudicado nessa, me entende? Sei que foi um amor bem divertido tentando me ferir e sendo ferido logo adiante, mas acabou a comicidade da obra e só sobraram as tragédias, meu bem. Tomei a decisão de lutar por você só pra não me arrepender por não ter feito, sabe?
   Estou agora, sentada, com borboletas dançando no estômago e a língua presa entregando muita mentira e pouca verdade – ou vice-versa. Tava com saudade de ansiedade, de dar a cara à tapa, de incerteza, de instabilidade e talvez até de você. Gosto de você, gosto muito: só não preciso. Um “não” só me fará dar um jeito de afogar minha mágoa com saliva alheia e voltar a rotina de experimentar bocas e mentes que talvez até te substituam daqui um tempo - ou não, vai que você nasceu pra mim. Chega o frio, chegam os sentimentos, chega nós dois mais uma vez tentando fazer certo do jeito errado. Vem andar na minha trilha torta?